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17/07/2008 10:21:36

Teatro é arma contra violência à mulher

Osmar Soares de Campos, para Pnud

Elas procuram a Casa Beth Lobo (Centro de Referência da Mulher em Situação de Violência Doméstica) em busca de apoio e conforto, mas podem encontrar uma atividade profissional ou até um talento para a expressão artística. O centro, criado pela prefeitura de Diadema, na Grande São Paulo, conta com dois projetos para ajudar mulheres vítimas de agressões por homens a superar a experiência por meio das artes cênicas e do artesanato – o que, para além do efeito terapêutico, pode servir como uma fonte de renda.

O grupo de teatro Agni surgiu com a criação de uma peça para comemorar, em 2005, o 14o aniversário da Casa Beth Lobo. é formado por 13 mulheres, que se encontram todas as segundas-feiras, e conta com a participação das atendidas pela casa e de funcionárias do espaço, como assistentes sociais, psicólogas e trabalhadoras do setor administrativo. Os participantes cuidam de tudo nas apresentações: da criação de cenários e figurinos à atuação.

Nesses três anos, o grupo já montou duas peças, além de algumas performances, que são apresentadas em Diadema e nas outras seis cidades do Grande ABC. O primeiro espetáculo, uma montagem escrita e dirigida por Josy Souza — funcionária da Secretaria da Cultura com formação em Teatro e mentora do grupo desde então — foi “Doutora Gilberta Gerônima em: que blasfêmia”. A doutora do título é uma estudiosa, muito bem humorada, que apresenta no palco uma palestra falando sobre suas pesquisas científicas. A grande preocupação de seu trabalho é entender a origem da violência contra as mulheres.

“Usando as atrizes, a personagem faz uma retrospectiva histórica que vai até os tempos primitivos”, afirma Josy. Na obra, resultado de trabalho em conjunto com as atendidas pelo programa, aparecem trechos de textos do escritor português José Saramago; da feminista, escritora e pensadora francesa Simone de Beauvoir e do filósofo clássico Aristóteles, entre outros autores. “A Gilberta Gerônima entrevista casais em diversas situações, de várias classes, e no final faz uma crítica, a partir de um apanhando de toda essa história de violência contra a mulher.”

A última peça montada pelo grupo é “Acorda Alice”, uma história dividida em três quadros que procura retratar o caminho da mulher na sociedade, abordando temas como o ciclo da violência e a homossexualidade, a partir de um quadro humanístico carregado de alegorias e símbolos (num deles, as atrizes representam um mundo de bonecas). “O terceiro e último quadro é uma confissão poética, uma homenagem às mulheres, principalmente as do Norte, do Nordeste. Nós abordamos a discriminação e o preconceito a partir de relatos verídicos”, acrescenta Josy.

As integrantes sentem-se bem-recebidos pelo público. De acordo com Rosa (nome fictício), que chegou à Casa Beth Lobo por recomendação do psiquiatra e integra o grupo desde o início, o Teatro tem lhe ajudado a superar um histórico de violência familiar e a melhorar sua relação com a sociedade. “[O grupo] foi muito importante. Eu sofria de uma depressão profunda, não conversava com ninguém, não saía de casa por nada. A partir do teatro, passei conversar com as pessoas… O grupo hoje é minha família”, afirma.

Artesanato

Com o projeto “Saia da Crise e Crie”, a Casa Beth Lobo também proporciona aulas de artesanato às vítimas de violência, grupo em grande parte formado por negras de baixa renda. Especialistas ensinam corte e costura para as mulheres, por meio de técnicas como fuxico (espécie de costura de retalhos), bordado em chinelo (com uso de miçangas) e macramê (técnica de tecer fios, usada para fazer bolsa, toalha, etc.).

Os cursos duram entre quatro e seis meses e têm aulas semanais de duas horas e meia. A prefeitura de Diadema fornece todo o material. “Elas vendem o resultado dos trabalhos e o grupo decide o que vai ser feito com o dinheiro. Uma parte, geralmente, fica com elas, outra volta para o grupo, que de repente decide aprender uma nova técnica, realizar uma festa ou comprar cestas básicas para doação”, conta a psicóloga Maria Alzira de Oliveira, educadora social do projeto e uma das integrantes do grupo de teatro.

“A mulher que chega à Casa Beth Lobo vem procurar ajuda, foi vítima de algum tipo de violência, física ou psicológica, e é direcionada para ações ocupacionais”, sintetiza a pedagoga Cormari Guimarães Perez, secretária de Assistência Social e Cidadania de Diadema. “A maioria é oriunda de programas de transferência de renda. Esse trabalho é uma maneira de incentivar a autonomia delas.”

A Casa Beth Lobo foi um dos 20 projetos vencedores do Prêmio ODM Brasil 2007, uma iniciativa do governo federal e do PNUD que destacou práticas de prefeituras e organizações sociais que ajudam o país a avançar nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

(Pnud)

COMENTÁRIOS

  • dalinara

    na minha opinião vcs devem colocar letras para que possamos pegar pra fazer um teatro !!podendo ser esse tema q é perfeito;pois retrata a vida real das mulheres que sao maltratadas por seus parceiros!!mas colocando falas q possão ser enssenadas pos pessoas q vão fazer trabalho de escola fazendo teatro!!!!!!!!!1mas mesmo assim vcs estão de parabens!!!!!!

    …………….PARABÉNS…………………

  • beatriz

    Concordo com a Dalinara,eu mesmo estou precisando de uma peça sobre esse tema!!!

  • camila santos de jisus

    E fundamental o apoio e o carinho de todos para com as mulheres que sofrem agressão, eles tem que acredita que afelisidade e pra todos, quer ele seja rico ou pobre, samos mulheres guerreiras e ferox pois carregamos por nave meses um feto ou até mais se deus manda, quando dizem que não samos capases nós mostramos que samos,estamos em todas as profissões, então não se deixe abater